TIMganou-me – Um conto de fadas de horror da telefonia brasileira

Era uma vez… Um casal de micro-empresários. Micro mesmo: era apenas a mulher e o marido.

Num momento de melhora econômica eles decidiram migrar do celular pré-pago para um plano pós-pago. Esse casal trabalhador já tinha há alguns anos celulares pré-pagos da Tim e na hora de fechar um plano pós-pago, optaram por uma conta empresarial com essa empresa.

No começo, como num conto de fadas da telefonia, tudo era perfeito. O contrato valia super a pena. O atendimento inicial foi ótimo. Ganharam aparelhos gratuitos com comodato para dois anos.

Para selar a confiança mútua a conta de celular foi colocada em débito automático. Ou seja, a Tim podia debitar mensalmente, sem prévia autorização, o valor gasto com seus serviços. Isto era baseado numa confiança extrema. A companhia tem total acesso às contas do casal e, havendo crédito em conta, recebiam sem mais delongas.

A confiança e o entusiasmo do casal com a Tim era tão grande que a indicaram para muitos amigos. Recomendaram, inclusive, para as empresas onde prestavam serviços, o que rendeu à amada Tim grandes contratos corporativos. Tudo levava o casal à acreditar que eles viveriam juntos com a Tim felizes para sempre.

Nos primeiros anos a esposa tinha a paciência de checar as contas mês a mês. Se havia algum problema ela tinha a calma de ligar mil vezes até conseguir ser atendida, mesmo que isso representasse horas e mais horas no telefone. Nada era documentado no papel, tudo por telefone. Quem dominava o controle das informações eram os especialistas em gerundio, os operadores de telemarketing.

As brigas com a Tim cresciam, o atendimento piorava, as vantagens econômicas diminuiam. Mas a necessidade de manterem os números de contato por celular levavam o casal a suportar as intempéries, engolir os sapos e seguir adiante com a sua operadora. E é bem verdade que economicamente o contrato ainda era mais interessante do que outros serviços prestados pelos concorrentes.

Mas foi em janeiro de 2008 que o pesadelo começou e o conto de fadas virou uma história de horror. Obviamente, como em qualquer boa história, esse fato aconteceu no pior momento histórico possível do casal: final de gravidez, mudança de apartamento, reforma, etc.

A esposa já não tinha o mesmo tempo para controlar as contas. Mas, apesar das rusgas eventuais com a Tim, confiava na empresa, mantinha tudo no débito automático e aguardava um momento de calmaria para checar as contas.

Lá para meados de março de 2008 a esposa descobriu que na renegociação do contrato, feita em janeiro, o atendente não havia registrado tudo que foi combinado. A Tim primeiro não reconhecia o erro e a esposa dizia “Vocês não gravam as ligações para minha segurança? Então, ouçam a gravação que vocês verão tudo que foi combinado comigo pelo atendente.” Depois ela apelou para a Anatel.  A Tim retornou e reconheceu o erro. Ficou de extornar os débitos indevidos na conta.

Mais alguns meses se passaram, a esposa a um fio de dar a luz, e ela descobre novamente que além do primeiro extorno combinado não ter sido efetuado, outro erro havia sido cometido.  Mais diversas ligações e finalmente a Tim ficou de acertar e extornar os debitos indevidos em conta.

O bebê nasceu. O mundo parou e apenas no segundo semestre esta então empresária-mãe pode conferir as contas telefônicas. Para sua surpresa os 2 extornos prometidos não haviam sido feito e um terceiro erro havia sido cometido. Novamente Tim, Anatel e o Espírito Santo foram acionados. Só desta vez a tim devia mais de R$ 400,00 ao casal e novamente, após uma dezenas de telefonemas, a Tim ficou de extornar os débitos indevidos em conta.

Pouco tempo depois descobriu-se que um quarto erro de cobrança havia sido cometido e um novo extorno de R$ 121,00 deveria ser feito em conta.

O tempo passou, a Tim continuou debitando em conta os valores que ela ditava. A família se envolveu nos primeiros meses de vida de um bebê que requeria cuidados especiais. O casal perdeu uma grande amiga de anos para o cancêr. E um ano depois do início de todo esse dramalhão mexicano, o casal havia recebido apenas parte dos ressarcimentos devidos.

Finalmente, em janeiro de 2009, com um pouco mais de tempo e energia, a esposa-mãe levantou todos os débitos indevidos da Tim do último ano, todos os protocolos de negociação com a Tim onde a empresa assumia os erros e se comprometia a fazer os extornos, todas as contas que comprovavam os débitos indevidos e os créditos faltantes. Enfim, tudo que era humanamente possível organizar foi organizado e esta esposa-mãe ligou para a Tim.

Novamente, sem retorno, a Anatel foi envolvida, e após três semanas de tentativas a Tim retorna e diz: “segundo a Anatel contas com mais de 90 dias não podem ser contestadas, então não há extorno a ser feito para sua conta.”

A esposa-mãe quase caiu para trás. Furiosa brigou e ao final de 35 minutos de ligação a operadora informou que “então, em caráter de liberalidade, a Tim extornaria parte dos débitos e o restante não seria negociado”.

Agora saímos do conto para entrar numa digressão:

O que diabos é “em caráter de liberalidade”?

E, como eu não posso receber o extorno de cobranças indevidas JÁ RECONHECIDAS pela empresa?

Então eles literalmente podem entrar na minha conta bancária, sacar o que quiserem, e se eu não tiver tempo de mês a mês conferir se eu não estou sendo roubada, quando eu perceber o furto eu não posso reclamar e receber MEU DINHEIRO de volta?

E nem estamos falando aqui de regras iguais para ambos os lados. Se eu atrasasse uma conta (coisa que nunca aconteceu) eu pagaria multa e juros. Se eles cobram indevidamente na minha conta e me extornam à posteriore eu não recebo multa e juros por eles terem ficado com meu dinheiro.

Eu fui assaltada por um ano. O roubo foi reconhecido e documentado. Ficaram de me pagar. Não pagaram. Trataram-me como louca desconhecedora da lei. E agora, fico no prejuízo de mais de R$ 300,00.

E ai pergunto à TIM:

Vocês vendem um serviço de telefonia ou são crime organizado protegidos pela lei?

JÁ CANCELEI MEU PLANO. TIM NUNCA MAIS. FUJA DELES VOCÊ TAMBÉM.

FUI FURTADA PELA TIM E QUERO QUE TODOS SAIBAM.

QUEM SABE ASSIM, UM DIA, SEREI RESSARCIDA.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Sávio Ponte
    mar 11, 2009 @ 20:47:22

    Que absurdo!!!
    Fora o problema com a Tim Web, eu tive um outro problema de ressarcimento também: quando transferi a linha de SP pro CE eles simplesmente disseram que cancelaram a de SP, mas não cancelaram… e ficou caindo em débito automático muitos e muitos meses. Felizmente consegui reaver o dinheiro e em dobro por ser cobrança indevida. Vamos botar a boca no trombone cada vez mais, porque é ridículo eles serem protegidos desta forma. Crime organizado mesmo!

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